Sachs: “Estamos condenados a inventar”

sachs 1.jpg“Se formos felizes numa saída ordenada da Era das energias fósseis, futuros historiadores falarão do breve interlúdio que ela constituiu na história humana. Se não formos bem-sucedidos, porém, não haverá futuros historiadores”. O alerta foi feito, nesta quarta-feira (25/11), pelo economista franco-polonês Ignacy Sachs durante a Conferência Magna da oitava Expo Brasil Desenvolvimento Local.

Titular há mais de 30 anos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris e precursor mundial dos estudos sobre ecossocioeconomia, Sachs partiu da análise sobre as crises financeira e ambiental para cobrar novos paradigmas globais de desenvolvimento. “É preciso enfrentar simultaneamente dois grandes desafios: o climático e o imenso passivo social acumulado no mundo, como as desigualdades abissais, a fome, o desemprego”, afirmou.

Para Sachs, a humanidade está agora condenada a inventar estas novas estratégias a partir de três linhas de ação. A primeira se refere à necessidade de consolidar e expandir a rede de serviços sociais essenciais, como educação, saúde e habitação. Simultaneamente, seria imprescindível também ampliar o perímetro da economia solidária. Por fim, estaria a transição para uma economia de baixo carbono, baseada na redução das emissões de gases geradores do efeito estufa. “A crise ambiental nos remete à uma perspectiva histórica longa, passando pela domesticação das plantas e a entrada na Era das energias fósseis. Estamos no limiar da saída da Era do petróleo e, quem sabe, dos combustíveis fósseis. Isso se tornou um tema candente porque corremos sérios riscos de mudanças climáticas irreversíveis”, ressaltou.

O Brasil vai à desforra

Ao se referir à realidade brasileira no contexto destes desafios, Sachs disse acreditar que o Brasil tem uma das mais claras oportunidades de se tornar uma biocivilização. “O Brasil tem o clima, a maior biodiversidade do mundo, água em abundância. A perspectiva do trópico como obstáculo do desenvolvimento está revertida. É a desforra dos países tropicais”, ironizou.

Como condições para que o país se consolide como a ponta de lança desse projeto, Sachs reiterou a necessidade de investimentos em pesquisas sobre biodiversidade, biomassa e biotecnologia. “Devemos potencializar as vantagens comparativas através das pesquisas, da geração de oportunidades de trabalho decente, da discussão sobre a importância da agricultura familiar como uma das principais geradoras de biomassa e da reabilitação da ideia de planejamento. Se o homem é um projeto, a sociedade também é. É algo que se constrói olhando para o futuro”.

Por Maria Mello, da assessoria de comunicação da Expo Brasil.

Foto: Kenia Ribeiro