Menos petróleo, mais qualidade de vida
Conectada com as novas tecnologias de comunicação, a 8ª Expo Brasil Desenvolvimento Local realizou nesta sexta-feira (27/11) uma videoconferência com Rob Hopkins, ativista inglês fundador do movimento Cidades em Transição. De um auditório no Anhembi, em São Paulo, os participantes do evento puderam conversar com Rob, que iniciou a palestra com uma explicação: "É importante que eu esteja na minha casa, na Inglaterra, e vocês, aí. Isso é coerente com o assunto que vamos tratar, pois dessa forma eu não preciso usar meu carro para ir até o aeroporto e nem voar para outro país, o que já reduz a nossa emissão de dióxido de carbono no planeta. Afinal, estamos no fim da Era do Petróleo."
Para Rob, a humanidade vivencia um momento crucial. "O petróleo é um intervalo na humanidade. A nossa geração está no topo da montanha desse consumo e precisamos viabilizar um descida segura para um outro modelo". Na avaliação do permacultor é preciso acordar para o futuro. "O que as próximas gerações vão pensar sobre isso? Que história falarão sobre o tipo de energia que utilizamos hoje? Que herança deixaremos para eles?" Responder a estas perguntas, frisou Rob, vai depender dos hábitos de cada um de nós. "A vida moderna está saturada de petróleo. Tudo a nossa volta é feito a partir dele", reforçou.
No entanto, Rob acredita que o pessimismo deve ser mantido longe do caminho para reverter esse quadro. O que ele propõe é fazer do limão a limonada. "Temos que vencer o choque inicial e partir para a ação. Muitas vezes a situação limite em que vivemos é apresentada de uma forma que deixa as pessoas tristes e estressadas. Temos que mudar isso. O que precisamos é de gente motivada e criativa", disse Rob. Ele defende, ainda, a constituição de redes sociais como forma de acelerar esse processo de transformação. "Temos que compartilhar conhecimentos e trabalhar juntos".
Além de inovadora, a proposta de Rob é simples. Segundo ele, já existem mais de 150 comunidades por todo o mundo engajadas formalmente no movimento de Cidades em Transição. O que elas fazem é basicamente implementar ações para reduzir a dependência ao petróleo. Para isso, é necessário rever os modelos de economia, alimentação, moradia e energia. "Houve um tempo em que não tínhamos petróleo. E esse tempo chegará novamente", argumentou. A ideia, portanto, é resgatar técnicas e conhecimentos de uma época em que não precisávamos de geladeiras, carros, tratores e aviões. "Tudo que queremos é criar respostas positivas. Não temos garantia de que esse será um modelo de sucesso, mas é um convite ao questionamento".
Nesse sentido, o Cidades em Transição aposta em ações educativas para a redução do consumo e também na capacitação para atividades como gastronomia, agricultura, costura, marcenaria, pesca e artes manuais. Outra via voltada para fortalecer os territórios é a circulação de moedas alternativas. "O objetivo é fazer com que esse dinheiro permaneça na localidade, aquecendo a economia daquele lugar. Isso também é uma forma de celebrar a cultura local", afirmou Rob. "Talvez a nossa geração seja a mais inútil que o mundo já produziu em termos de habilidades para cozinhar, construir e consertar coisas. Somos gordos, temos dívidas e estamos menos integrados à natureza. O que propomos, então, é sinônimo de qualidade de vida".
Por Fernanda Barreto, da Assessoria de Comunicação da Expo Brasil
