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Expo Brasil avança na defesa de um novo padrão civilizatório

Após três dias de intensas discussões sobre os avanços e desafios do desenvolvimento territorial no país, foi encerrada na noite de sexta-feira, 27 de novembro de 2009, a 8ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, que reuniu mais de 2 mil pessoas no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. Em uma rodada de conversa, ao final do encontro, foi feito um balanço do papel e dos possíveis rumos da Expo Brasil, que já é considerada um movimento crescente de promoção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável.

A Expo Brasil não é mais um evento, um encontro, mas a chance de ganharmos em termos de força e potência rumo a uma nova sociedade. Nosso objetivo é ter uma influência estratégica sobre os rumos do desenvolvimento, pois somos parte de uma desafio muito grande que une os brasileiros a todo o mundo”, afirmou o sociólogo Caio Silveira, coordenador da Expo Brasil. Ele observou que o desenvolvimento local tem um papel relevante na superação do que ele chamou de “crise civilizatória” da humanidade, decorrente das crises ambiental e econômica.

O Gerente da Unidade de Desenvolvimento Territorial do Sebrae Nacional, Juarez de Paula, defendeu a ideia de que esta “crise civilizatória” está abrindo oportunidades para o alcance de um novo padrão de desenvolvimento. Ele apontou, em primeiro lugar, a possibilidade de se repensar o modelo de democracia. “Os governos conseguiram mobilizar vultosas quantias para salvar os bancos, mas não para promover as mudanças sociais necessárias. Que tipo de democracia é essa?”, indagou.

Juarez de Paula avaliou ainda que outra grande oportunidade é a de se repensar a economia a partir da promoção de “negócios verdes”. “É possível gerar crescimento econômico na contramão do atual modelo excludente e perverso predominante na sociedade, que utilize menos combustíveis fósseis”, afirmou. Ele assinalou também que a crise abre espaço para se rediscutir as cidades, os indicadores e a própria visão de desenvolvimento.

O economista e professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, analisou o contexto favorável do Brasil perante o cenário internacional em função do bom desempenho em meio à crise financeira mundial e aos bons resultados das políticas econômicas e sociais. Ele alertou, no entanto, que existe um cenário planetário crítico e que “é pelo resgate do poder local que poderemos retomar as rédeas” do desenvolvimento sustentável.

Sobre os rumos da Expo Brasil, o cientista social Giuseppe Cocco, que defendeu a realização da nona edição do evento no Rio de Janeiro, em 2010, afirmou que o desafio agora é fazer o processo da Expo ter uma dinâmica maior. “Isso significa a Expo se tornar a 'Bolsa do comum' diante da crise da Bolsa de Valores”, comparou, observando que vivemos uma crise agravada por “um modelo de inclusão que exclui”.

Os participantes da rodada final concordaram na avaliação positiva da oitava edição do evento e sobre o papel, a cada dia mais relevante, desempenhado pela Expo Brasil. “A Expo é testemunha de mudanças importantes para o Brasil e o mundo. Temos aqui um espaço plural importante, participativo, diverso e democrático de reflexão e assim devemos continuar”, avaliou Juarez de Paula.

Os participantes defenderam ainda que se crie um sistema de comunicação mais sustentável e contínuo para a Expo Brasil, que extrapole a realização do evento. “Cada vez mais precisamos buscar uma dimensão internacional. Vivemos em tempos de globalização, de rápida comunicação e isso deve impactar o próprio modelo da Expo”, disse Juarez.

O comunicador Antonio Martins afirmou que é importante ter novas formas de comunicação para a Expo Brasil, que sejam mais horizontais e democráticas. “A Expo pode ser todos os dias do ano. Minha sugestão final é ver novas maneiras tecnológicas para que as ideias sociais que se discutem aqui circulem o tempo todo”, concluiu.

Assessoria de Comunicação da Expo Brasil

 

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