Responder a este comentário

8ª Expo Brasil debate caminhos para a acessibilidade

Apontar caminhos viáveis para a acessibilidade nas cidades brasileiras foi objetivo do painel realizado nesta sexta-feira (27/11), último dia da 8ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, evento que este ano ocorre desde quarta-feira (25/11) no Anhembi, em São Paulo. Mais do que construir rampas de acesso e rebaixar o meio-fio, as palestrantes deixaram claro que a questão abrange a inclusão social das pessoas com deficiência e restrições de mobilidade - como crianças, gestantes e idosos.

"Além de atender a deficiência física, é preciso pensar também em áreas como comunicação e treinamento para os operadores de serviço público", ressaltou Adriana Almeida Prado, do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam). Na opinião da especialista, pouco adianta, por exemplo, adequar um ônibus para receber alguém com deficiência se o motorista não souber como atendê-lo. "A lógica é simples: além de um transporte acessível precisamos de pessoas acessíveis", defendeu.

Outros aspectos que devem ser repensados, indicou Adriana, são a programação visual e a sinalização dos espaços. A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Zilsa Maria Santiago concorda. "Foi-se o tempo em que os projetos podiam ser feitos para um tipo de homem ideal, mediano. É urgente que todos nós passemos a considerar a diversidade", defendeu Zilsa.

Durante o painel, as especialistas ofereceram aos participantes um panorama da evolução do debate sobre acessibilidade no Brasil e no mundo. Muita gente não sabe, mas há garantias legais para a implantação do design universal de acordo com normas da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) em qualquer projeto urbanístico. "Isso só não se aplica a nossa casa mas seria bom que a gente também considerasse o mesmo modelo. Afinal, também vamos envelhecer e ficar com a mobilidade reduzida. Além disso, poderemos receber nossos avós com mais conforto", ressaltou Adriana.

Uma crítica feita por Adriana diz respeito ao poder público. "Algumas prefeituras ainda são displicentes e esquecem de cobrar a reserva para a calçada na hora de aprovar projetos de arquitetura. É importante destacar que se a calçada não estiver de acordo com o modelo garantido pela lei e uma pessoa cair um tombo, ela poderá cobrar indenização por isso". Outro problema, ressaltou a especialista, é o mobiliário urbano - caixas de correio, postes, placas, telefones públicos - que geralmente invadem as calçadas e atravancam o espaço dos pedestres.

Segundo Zilsa, um grande entrave para a acessibilidade é que as pessoas têm dificuldade em se colocar no lugar umas das outras. "Se eu saio do meu apartamento e esqueço minha bolsa, é só dar meia volta e buscar. Mas imagine como essa tarefa pode ser complicada para um cadeirante." A professora apresentou estudos e diagnósticos realizados em atividades de extensão da UFC com a participação de alunos. Zilsa acredita, também, que uma reforma fundamental para viabilizar ambientes mais inclusivos passa necessariamente pelos currículos acadêmicos. "Com algum atraso, as universidades estão se abrindo para esse assunto e os currículos estão incluindo matérias de acessibilidade".

Outra especialista, Ana Burjato, representante da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, apresentou projetos inovadores de acessibilidade, especialmente em áreas de lazer. "O acesso a estes locais economiza recursos do poder público, além de promover o bem-estar e a prevenção de doenças", destacou. Ana mostrou imagens de espaços e equipamentos urbanos totalmente adequados ao conceito de acessibilidade com segurança, confiança e comodidade como bebedouros, mapas em braile, brinquedos para cadeirantes e telefones públicos.

Por Fernanda Barreto, da assessoria de comunicação da Expo Brasil

Foto: Kenia Ribeiro

Responder