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Inovações tecnológicas a serviço do desenvolvimento sustentável
No Brasil, 70% dos investimentos na área de tecnologia são feitos por empresas transnacionais. Os outros 30% representam aportes do poder público, geralmente voltados aos interesses das grandes corporações. Os dados, fornecidos por Rodrigo Fonseca, analista da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, apontam para a necessidade de redirecionar esforços rumo ao fortalecimento das chamadas tecnologias sociais.
Durante o debate “Inovação social para o desenvolvimento sustentável”, realizado na manhã desta sexta-feira (27/11), durante a 8ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, Fonseca propôs uma reflexão sobre o sentido do termo “inovação”. Para ele, é preciso dar peso ao caráter social de ações inovadoras, orientá-las pelas ideias de justiça e sustentabilidade. “Inovar para quê? Essa é a pergunta-chave da discussão, porque a ideia de inovação em si não aponta para a superação do paradigma atual. O capitalismo, o ator mais forte no processo de desenvolvimento tecnológico, captura a inovação, passa a usá-la para domínio e reprodução de um certo grupo social”, avalia.
Ainda segundo Fonseca, o fomento às tecnologias sociais tem respaldo em ao menos duas de suas principais características: a inovação construída por elas na interação entre usuário e desenvolvedor - que faz com que a lógica de oferta e demanda seja superada - e o aprendizado pela interação que elas proporcionam. “As tecnologias não são apenas aparatos, são os sistemas de conhecimento e as relações sociais que estão em volta deles, e estão sempre envolvidas na organização de um sistema de conhecimento”.
Para o economista Ladislau Dowbor, que também participou do debate, o principal desafio para direcionar as inovações sociais para o desenvolvimento sustentável está em compatibilizar as várias instâncias existentes hoje na sociedade.
De acordo com ele, há uma espécie de disritmia entre os atores sociais no Brasil. Enquanto alguns se desenvolvem, como os que propagam a cultura graças às inovações tecnológicas, outros – como o Judiciário, que criminaliza a livre reprodução proporcionada pelo avanço da conectividade – seguem estanques. “Conhecimento é um bem cujo consumo não reduz o estoque, é um processo em que quanto mais se comunica, mais se multiplica. Estamos querendo aprender a compatibilizar processos nas distintas instâncias”.
Ao final da exposição, Dowbor enfatizou que o conjunto das tecnologias do conhecimento pode se transformar em “inovação social radical” porque promoverá o deslocamento das relações sociais.
Por Maria Mello, da Assessoria de Comunicação da Expo Brasil
Foto: Kenia Ribeiro
